Notcias | Secretaria de Desenvolvimento Social - Conselho Estadual do Idoso - So Paulo

O direito humano alimentao saudvel e a questo dos agrotxicos, principalmente junto populao idosa

23/11/15

O Brasil hoje é um dos países com maior quantidade de idosos. Com certeza é um bom sinal de que nossa saúde está indo cada vez melhor. Outra coisa boa é que a maioria dos idosos conseguem ter um tempo maior para fazer o que gosta, sem tantas obrigações como antes, e também dá para cuidar melhor da saúde, que geralmente exige alguns cuidados especiais nesta fase.

De que adianta beber mais água, diariamente, alimentar-se a cada 3 ou 4 horas, comer frutas, verduras, legumes, arroz integral, diminuir o café, a cervejinha, cortar o sal e as gorduras, mastigar muitas vezes antes de engolir, se consumimos veneno, no nosso dia a dia, através de produtos contaminados por agrotóxicos. Para ter uma alimentação saudável, não bastar somente comer saladas, frutas e legumes, é preciso saber a procedência deles. Do que adianta “comer verde” se estiver cheio de agrotóxicos?

Os agrotóxicos e defensivos agrícolas são vilões tanto para os produtores de frutas, legumes e verduras, como para as pessoas que vão consumi-las.

A busca por uma alimentação saudável é cada vez mais recorrente na rotina da população. Mas até que ponto isso é possível em um país considerado o líder no uso de agrotóxicos na agricultura, muitos deles proibidos em vários países desenvolvidos? Essa é uma das perguntas que cercam a indústria alimentícia brasileira.

A fiscalização dos agrotóxicos é uma atividade de difícil execução no Brasil, visto a grande extensão territorial do país. Neste sentido, todos os cuidados devem ser tomados no processo de registro desses produtos, já que o registro é um procedimento básico de controle, para impedir que produtos com riscos inaceitáveis sejam produzidos, importados, exportados, comercializados ou usados, principalmente pela pessoa idosa.

Os principais tipos de agrotóxicos são: herbicidas, inseticidas e fungicidas. O uso excessivo dessas substâncias na agricultura causa danos à saúde de quem consome esses produtos. Muito mais recorrente junto à pessoa idosa, que estão em uma fase natural de baixa imunidade.

Estamos diante de uma verdade cientificamente comprovada: os agrotóxicos fazem mal à saúde das pessoas e ao meio ambiente. As pessoas estão expostas a múltiplos tóxicos e ao longo do tempo, ignorando que a mistura deles, podem se potencializar e provocar efeitos crônicos.

Os problemas relacionados ao consumo desses alimentos contaminados são dos mais simples, como náuseas, dores de cabeça e tonturas até os mais complexos, como alteração nos sistemas respiratório, cardiovascular, pulmonar e neurológico e também problemas como mal de Alzheimer, mal de Parkinson e até mesmo o câncer e, esses problemas costumam aparecer em médio e longo prazo.

As pessoas não estão vivendo mais por estarem ingerindo alimentos mais saudáveis, mas sim devido aos avanços da medicina. A maioria ignora a intoxicação pelos produtos agrícolas, cujos males são mais evidentes nos próprios agricultores, porém consomem diariamente pequenas doses de veneno e só morrem muitos anos depois. 

Pelo cheiro ou pela aparência, não é possível identificar se uma fruta, legume ou verdura tem ou não essas substâncias.

O alimento deve cumprir o seu papel de nutrição, levando ao organismo os nutrientes que este precisa para ter saúde. Alimentos contaminados por agrotóxicos são considerados impróprios para o consumo, pois trazem risco à saúde. É incoerência falar em alimentação saudável quando se trata de alimentos contaminados por agrotóxicos.

Existe uma legislação que define os padrões de limites de tolerância do organismo aos resíduos de agrotóxicos, mas além de não se realizar inspeções sistemáticas dos alimentos, o grande perigo para o consumidor é que muito desses resíduos se acumulam no organismo, e são, inclusive, cancerígenos, mas é muito difícil o registro desse tipo de intoxicação devido à dificuldade de identificar estes casos.

O ideal seria dar preferência a produtos conhecidos como “orgânicos”, que são cultivados sem este tipo de química. Nós podemos encontrá-los em lojas e mercados especializados e até mesmo em alguns supermercados.

A pressão dos consumidores sobre as autoridades para que se posicionem e definam políticas agrícolas a produção de alimentos orgânicos que são mais nutritivos, saborosos, seguros e realmente saudáveis. Que estas políticas sejam operacionalizadas. Hoje, já temos uma sociedade preocupada em consumir alimentos sem agrotóxicos e essas pessoas, precisam se organizar para exigir das autoridades medidas adequadas para incrementar essa produção.

Acreditamos que, caso haja demanda, fiscalização e pressão da sociedade, teremos a garantia de mais saúde à mesa do consumidor brasileiro. Havendo demanda os agricultores com certeza se organizarão para produzir alimentos orgânicos.

Enquanto não nos livramos dos venenos, para garantir a limpeza dos alimentos, é importante lavar bem antes de consumir as verduras, frutas e legumes. A lavagem deve ser feita com água corrente e a tradicional gotinha de água sanitária que mesmo assim, não retira 100% dos resíduos venenosos. Outra solução seria lavar muitíssimo bem as frutas e os legumes antes de consumi-los com água corrente e esfregando-os muito bem com uma esponja, sabão, ou então deixando-os de molho em água fervente. Este cuidado permite eliminar parte do agrotóxico que está na casca do produto.

Compete a nós, cidadãos, a partir da comunidade, amigos, parceiros, conselhos representativos, enfim, a sociedade em que vivemos, exigirmos que a legislação de agrotóxicos seja rigorosamente cumprida, sua aplicação fiscalizada. Aí sim, teremos uma vidinha saudável e prazerosa.


Texto de:

Wilson Solani Brinkmann e Yara Carvalho Blank

Membros da Comissão de Articulação Política e Comunicação Social


Bibliografia:

Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, volume 22; nº 4, outubro/dezembro de 2013.